Saindo de grupo

Saindo de um grupo de amigos no WhatsApp, durante a pandemia de covid-19, revoltado e amargurado com a enxurrada de mentiras.

27 de Mar de 2020

Meus amigos:

Eu trabalho na √°rea de tecnologia de informa√ß√£o, profissionalmente ou n√£o, h√° quase quarenta anos. Comecei a usar a Internet alguns anos antes desta ferramenta ser aberta ao grande p√ļblico, h√° mais de vinte e cinco anos. Continuo me mantendo atualizado; hoje mesmo estou realizando a configura√ß√£o de um computador remoto, nos EUA, onde vai rodar um dos sistemas que eu mantenho no ar.

Para além disso, vocês estão muito familiarizados com a minha curiosidade por tantos assuntos, que me leva a procurar conhecer mais sobre tanta coisa. Em muitas áreas, tenho conhecimentos que são incomuns para um não-especialista.

O conhecimento mais importante que adquiri foi o de buscar a informação: onde, como, quando encontrar uma informação; e, quase tão importante, aprendi como procurar aferir a sua veracidade. Não é nada extraordinário ou difícil, porque há apenas dois tipos de ferramentas para isso. Uma está em suas mãos, em celulares ou computadores; a outra está entre suas orelhas.

Por mais necessário que seja em nosso admirável mundo novo, por mais fácil que seja usá-lo, este é mais um conhecimento que poucos detêm. Pior, é mais um conhecimento que a maioria desdenha como desnecessário.

Não sou ninguém especial. Tenho sempre presente a frase que Newton tornou famosa: se eu enxergo mais longe, é porque me apóio sobre os ombros de gigantes. Sobre os ombros de muita gente que me precedeu, gigantes ou não.

O fato √© que eu vejo longe. Uma das minhas maldi√ß√Ķes pessoais √© que eu sempre quero ajudar outros a tamb√©m enxergar longe, a tamb√©m aprender a subir os ombros dos gigantes. Esta semana vi uma frase que me calou fundo. Era uma brincadeira: ‚Äúaspiro a inspirar antes de expirar‚ÄĚ. Senti-me plenamente descrito ali.

Já há anos que vejo, entre estarrecido e desesperado, a perversão da informação para atender a propósitos sórdidos. Vejo isso em um crescendo. Tento ajudar outros a verem a onda que se aproxima, quase sempre sem sucesso.

Fico ainda mais desesperado ao ver pessoas queridas, familiares e amigos, tornarem-se v√≠timas, c√ļmplices ou mesmo perpetradores destes crimes.

Porque é de crimes que se trata, ainda que não estejam descritos no Código Penal… e agora, com uma epidemia vitimando centenas de milhares de pessoas mundo afora, nem isso: o crime está descrito no nosso Código Penal, como em tantos outros, há tantos milênios.

Distorcer a informação, pervertê-la e disseminar a mentira é matar.

Tenho a grande felicidade de ter vocês todos como amigos. Estou ao alcance de uma mensagem ou de um telefonema, como sempre estive. Converso sobre qualquer assunto que queiram, sempre aprendendo e ensinando, como fazemos há tantas décadas.

Permanecer aqui, no entanto, tornou-se pernicioso para mim. Um abraço a todos.

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LC, o Quartelmestre

Tamb√©m conhecido como Luiz Cl√°udio Silveira Duarte. Escritor, poeta, pesquisador, jogador, pol√≠mata, fil√īmata... est√° bom para come√ßar.