Os abraços

16 de Set de 2021

Ainda pensava na analogia dos amigos com as águas, e dela passei a pensar o abraço, este símbolo tão forte da amizade.

Abraçando Claudio.

Eu sempre fui um tanto reticente com abraços, mesmo com os amigos mais próximos. A distância, durante meus anos em Curitiba, me ajudou a perder um pouco da reticência; mas esta pandemia dos infernos voltou a reforçá-la. Em todo caso, escolhi para ilustrar este texto dois raros flagrantes de abraços meus em amigos queridos, ambos em meu aniversário de 50 anos.

Abraçando Marcelo.

Abraços são preciosos. Estreitar alguém em seus braços, sentir a sua proximidade. Reduzir a distância e, por um breve momento, ser um com uma pessoa amada – porque amizade e amor são a mesma coisa, com intensidades diferentes em momentos diferentes.

Há os abraços a braços, claro. Mas há tantos outros!

O abraço da voz – que conforta, brinca, pergunta, conta, troca.

O abraço do olhar – que anseia, promete, aceita, acaricia, espera.

O abraço do beijo, a mais íntima das carícias.

O abraço da ponta dos dedos, da ponta da língua, passeando e explorando.

O abraço das pernas, incentivando e acompanhando o paroxismo da paixão.

Todos estes abraços aproximam e envolvem. Todos eles tocam, mesmo quando não encostam – porque o toque que importa é o da alma. A pele é apenas o caminho que o toque percorre, às vezes, antes de chegar ao seu destino.

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LC, o Quartelmestre

Também conhecido como Luiz Cláudio Silveira Duarte. Escritor, poeta, pesquisador, jogador, polímata, filômata... está bom para começar.