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Amanhecer

Conto.

10 de Dez de 2022

Quando abri os olhos, percebi que a aurora estava próxima. Ao meu lado, o corpo macio de Bianca continuava a me aquecer. Procurei me erguer sem acordá-la, mas não consegui. Levantamos juntos e nos alongamos. Logo ela seguia na direção da praia, comigo um pouco atrás.

A maré estava ótima, começando a descer! Na faixa estreita de areia, havia um grupo de negros grandalhões, comendo em silêncio. Nós os ignoramos, e eles a nós. Ninguém queria confusão.

Vários dos nossos amigos já estavam também na praia, fazendo uma alegre algazarra. O vento soprava do norte, paralelo à costa – perfeito! Bianca molhou um pouco os pés na água, mas não demorou e resolveu seguir para o norte, deslizando sobre as pequenas ondas. Fui atrás dela, de vez em quando observando sua beleza esbelta.

Apesar das condições favoráveis, não havia muita escolha. Mas, a certa altura, dei sorte. Bianca estava um pouco para o lado e não viu, mas eu mergulhei a cabeça e o peguei! Ela deu uma risada de alegria, e se aproximou. Eu já estava me preparando para brincar com ela, talvez extrair algumas promessas divertidas…

… mas ela deu um pulo, assustada, um momento antes de eu ver a sombra. Um dos negões resolveu tirar uma casquinha, e me empurrou para o lado. Que diabo! E ainda por cima na frente de Bianca!

Afastei-me um pouco, e Bianca também manteve uma distância cautelosa, mas me olhou com o ar de “vai deixar isso assim?”

Olhei para o negão. Ele tinha o dobro do meu tamanho. Seus amigos não tinham percebido o que acontecia, mas certamente o ajudariam – e eu sabia que os meus não iam querer nem chegar perto.

Ainda reclamei um pouco, para manter um mínimo da minha dignidade masculina. Mas não passou disso. Desisti e voltei a seguir sobre as águas.

Tudo bem. Muitos peixes no mar. Mas Bianca bem que podia parar de rir!

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LC, o Quartelmestre

Também conhecido como Luiz Cláudio Silveira Duarte. Escritor, poeta, pesquisador, jogador, polímata, filômata... está bom para começar.