Calor

Conto.

28 de Ago de 2023

Quando acordei, ela já não estava na cama. Eu a encontrei na sala. Havia aberto a porta e estava sentada no sofá. A manhã mal começava, mas a luz escassa já me permitir ver suas formas, só um pouco escondidas pelo lençol. Os olhos estavam voltados para o jardim… mas penso que não era para fora que ela olhava.

Eu me aproximei sem fazer ruído. Abaixei a cabeça para um beijo sem lábios em seus cabelos, e pus as mãos em seus ombros. Ela continuou a não-olhar para o jardim, mas ergueu as mãos para carinhar as minhas.

Sentei ao seu lado. Não falei nada, apenas fiquei olhando o jardim com ela. A grama tinha sido cortada naquela semana; os passarinhos ainda tinham facilidade para encontrar seu desjejum. Os pios e chilreios enchiam o ar por toda a vizinhança.

Não sei quanto nos quedamos ali. Depois de algum tempo, eu também já não olhava para onde meus olhos apontavam. Sentia a sua presença ao meu lado… o seu calor. Não o calor que havia ardido e fulgurado durante a nossa noite; este era o calor que envolvia almas e aquecia corações, e que luzia em seus olhos e em seu sorriso.

Olhos e sorriso estavam velados, mas o calor ainda estava ali.

Ela se moveu, e se encostou em mim, ainda com os olhos voltados para fora. Abracei-a com um braço, apertei um pouco enquanto beijava o alto da sua cabeça, e depois relaxei, mantendo o acolhimento.

Fechei os olhos, deixando que o calor me abraçasse de volta. Ela se ajeitou melhor, e usei o momento para passar a acariciar seus ombros. Com os olhos fechados, ia explorando sua pele com meus dedos.

Ainda sem falar nada, ela se desvencilhou do lençol, tomando cuidado para se manter em meu abraço. Sua mão me encontrou para me estimular. Abri os olhos e encontrei o seu olhar. Ela veio por cima de mim, e eu a apoiei com as minhas mãos.

Na noite passada, nossas vozes tinham celebrado o nosso amor e o nosso tesão. Agora, estávamos ambos calados: era o calor que gritava sem som.

Depois que ela se encaixou, os quadris passaram a se mover em sincronia. Nossos olhos continuaram a se prender, até que ela os fechou, lançando a cabeça para trás em êxtase. Moveu o torso para trazer os seios até minha boca, e não me fiz de rogado.

Nenhum grito ou arquejo escapou por sua boca entreaberta, mas senti quando ela relaxou sobre mim. Eu novamente a abracei e a coloquei de encontro ao meu peito, dando mais beijos leves em seus cabelos.

Ficamos ali, ainda ligados por algum tempo, até que minha excitação diminuiu e nos separou.

Ela ergueu a cabeça, novamente olhando em meus olhos, e os fechou para me beijar. Levantou-se e olhou novamente para fora. A manhã já ia bem clara, e ela se espreguiçou olhando o jardim. Olhou para mim, e agora eu via de volta a luz em seus olhos e o sorriso brincando em seus lábios.

Estendeu a mão para mim, me convidando a acompanhá-la.

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LC, o Quartelmestre

Também conhecido como Luiz Cláudio Silveira Duarte. Escritor, poeta, pesquisador, jogador, polímata, filômata... está bom para começar.