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Infinitos temores

Com medo de vários infinitos.

25 de Mar de 2024

Quando eu era criança, tinha medo dos infinitos.

Demorei a aprender a nadar; quando aprendi a abrir os olhos debaixo d’água, ficava com medo se dirigia o olhar para a parte distante e mais profunda da piscina, quando via apenas um nunca acabar de água. Eu somente me sentia tranquilo quando conseguia ver as paredes ladrilhadas da piscina.

Também lembro de um pesadelo recorrente, mais ou menos neste período. Eu estava brincando na praia, na arrebentação, e percebia que estava se armando uma onda gigantesca, como um tsunami. Aquela gigantesca parede de água se formava à minha frente, mas não quebrava. Eu tentava fugir, e ela vinha atrás de mim, sempre ameaçando quebrar.

Outro infinito me assustava, em outro pesadelo recorrente. Eu estava brincando, e dava um salto. Mas, ao invés de concluir o salto, eu continuava a subir, devagar mas constantemente. Eu sabia que logo ia começar a cair, mas a queda nunca começava; eu subia cada vez mais alto, cada vez mais apavorado com a distância que aumentava.

Hoje me peguei lembrando destes temores, enquanto contemplava os infinitos na praia.

O fato é que fiz as pazes com os infinitos. Mais do que isso: hoje eles me completam. Fico neles, e entre eles; e sei que levo comigo meus infinitos particulares.

Por outro lado, sou finito, e fico muito feliz com isso.

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LC, o Quartelmestre

Também conhecido como Luiz Cláudio Silveira Duarte. Escritor, poeta, pesquisador, jogador, polímata, filômata... está bom para começar.