A consistência como virtude
Ouvia, há pouco, o Josias de Souza dizer que Bolsonaro, a um passo de ir para a cadeia, agora dá valor aos direitos humanos dos presos, de quem antes escarnecia.
Com a devida vênia ao nobre jornalista, peço para discordar. Ele ainda mantém a mesma consistência, a mesma constância, que sempre demonstrou por toda a sua vida pública.
Neste sentido, ele continua a querer todos os direitos, benesses, vantagens, mordomias, propinas, salamaleques, rapapés, bonomias, lambidas, genuflexões, e chuveiros, dourados ou não.
Também com a mesma constância, ele continua a rejeitar deveres, limites, controles, decoros, restrições, decências, leis, normas, mandamentos, morais, responsabilidades.
Nada mudou. Ele segue achando que as regras são só para os outros, e que apenas as regras de seu arbítrio têm qualquer valor.
Não se pode negar a Bolsonaro a virtude da consistência; por toda a sua vida pública, suas crenças e seus princípios sempre estiveram no mesmo nível de sua coragem, de sua honra, de sua virtude.