Auriverde pendão de minha terra

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Auriverde pendão de minha terra

Meus anos escolares aconteceram durante o regime militar, assim como os primeiros anos na universidade. Assim, tive todas as disciplinas que supostamente ensinavam a ser bom cidadão – Moral e Cívica, Organização Social e Política do Brasil, Estudos de Problemas Brasileiros. No ensino fundamental, então chamado primeiro grau, tínhamos a “hora cívica” semanal, com todos perfilados ante nossa bandeira, cantando nosso hino. Nos anos de chumbo, eu via as incessantes propagandas e “notícias” que procuravam instilar o medo aos criminosos que queriam “subverter” o nosso país. Uma avalanche.

O fato é que eu sou um patriota. Será por tudo isso acima, ou há mais aí em jogo? Não sei, e nem faz muita diferença. Mas penso que vale a pena falar um pouco sobre como é este meu patriotismo – porque vejo muita gente, de todas as idades, lamentando o que chamam “falta de patriotismo”, “falta de civismo”, e outras ausências.

Começo por uma frase que muito aprecio, de um patriota americano, Carl Schurz. “Minha pátria, certa ou errada; se estiver certa, para continuar assim; se estiver errada, para ser corrigida.”

Não era este o patriotismo que nos era vendido por toda aquela barragem de informação que mencionei. Mas certamente fui marcado por ela – em especial, por algo que nos era repetido à exaustão.

Refiro-me ao ideal que apresenta o Brasil como a pátria de todas as raças, de todas as cores, de todos os credos. É uma visão idealizada, sem qualquer dúvida, como o sangue e a dor de muitas pessoas mostrou e continua a mostrar.

Mas eu acho estranho que os saudosistas do patriotismo se sintam à vontade para julgar inumeráveis pessoas e grupos como imorais, incapazes, insuficientes, impróprios, indecorosos, inconvenientes, inadequados, inidôneos, indevidos, indignos de nossa pátria.

Ora, eu mantenho o mesmo ideal de uma pátria que a todos acolhe. Não é o que ela é, mas é o que ela pode ser – o que ela deve ser! E penso que a marca do patriota é levar a sério este ideal; e a melhor maneira de demonstrá-lo é aceitando e acolhendo mesmo pessoas de raças, cores, credos – ideias! – que não agradem ao patriota.



2026 Luiz Cláudio Silveira Duarte https://quartelmestre.com
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