Amici manent

https://quartelmestre.com/poesia/amici-manent/

Hoje me despedi de amigos muito especiais, que me visitaram durante o fim de semana. Partiram ainda cedo, antes da alvorada de quase inverno. Enquanto os abraçava, e reiterava meu desejo que voltem em breve, lembrei de algo que já li: “partir é morrer um pouco”.

Lembrei da frase e imediatamente a rejeitei. Especialmente naquele momento, cheio de abraços e beijos, de ideias e esperanças, de memórias novas ou velhas – cheio de vida!

Rejeitei a frase… e ocorreu-me invertê-la. Morrer é partir um pouco! Já vi a morte de pessoas queridas; mas nunca partiram de todo, delas sempre ficou algo precioso.

    --Quem são? --Meus amigos.
    Esteios risonhos
    A vida me deu
    Irmãos, camaradas
    Abraços e braços
    Nos quais me apoiar.

    --Quem são? --Meus amigos.
    Amantes bisonhos
    Fingem desamor
    Coram por sentir
    Escondem as almas
    Que sofrem, perdidas
    Se falta-lhes riso
    Do amigo a brincar.

    --Quem são? --Meus amigos.
    Presentes nos sonhos
    Que inspiram em mim
    Quando me tocar
    A vez de partir
    (Semente, não fico!)
    Talvez vão chorar
    Prefiro a lembrança
    Do chiste trocado
    Do riso (forçado!)
    Do jogo jogado
    Da alma a cantar
    Um brinde, sorrisos
    Memórias alegres
    As mesmas que levo
    Em meu viajar.


2024 Luiz Cláudio Silveira Duarte https://quartelmestre.com
O conteúdo destas páginas pode ser utilizado conforme os termos da licença
Creative Commons Atribuição-NãoComercial-CompartilhaIgual 4.0 Internacional.