A Paixão

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    Há fardos que pesam
    Fatigam meus braços
    Mas estes são leves
    Depois do esforço
    Têm fácil repouso

    Os pesos que levo
    Carrego na alma
    Não posso pousar
    Parar, descansar

    Por vezes preciso
    Sentar com amigo
    As faces lavar
    Falar, prantear

    Abraços ajudam
    E beijos também
    Reduzem a carga
    Com gestos sutis
    E olhos gentis

    Nem sempre consigo
    A voz encontrar
    Nem tudo que guardo
    Sei como expressar

    Então vou pro mar
    Me jogo nas ondas
    Acolhem meu corpo
    Recebem meu choro
    Escutam meus gritos
    Que fogem da voz

    O mar me abraça
    Sustenta, levanta
    Não julga nem diz
    Que devo fazer
    Pensar ou sentir

    Entrego-me às águas
    Me deixo levar
    Pois levo comigo
    O meu próprio mar.


2024 Luiz Cláudio Silveira Duarte https://quartelmestre.com
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