As portas do Sonhar

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    No frio noturno
    O guarda vigia
    Passadas marcadas
    Ecoam no escuro
    Mantendo o segredo
    Das portas fechadas

    Um som pressentido
    Bem mais que ouvido
    Provoca um 
                -- Alto!
    Seu nome, ligeiro!
    Não venha escondido
    E sim no carreiro.
    Revele quem é
    E se vem armado.

    -- Sou eu, sentinela
    Já sou conhecido
    Cumpriu seu dever
    Correta cautela
    Agora eu passo
    Ao encontro dela.
    As armas que trago
    Não causam lesão
    Um beijo, um afago
    O toque, o calor
    Ostento brasão
    Das lides do amor.

    -- Pois passe, senhor
    Aqui eu vigio
    As portas da noite
    Não deixo passar
    Patifes, tratantes
    Mas devo apressar
    Entrada de amantes
    A Lua vai alta
    É noite propícia
    Além destas portas
    Deleites, carícias
    Sorrisos, olhares
    Arquejos e beijos
    Amar e sonhar.


2024 Luiz Cláudio Silveira Duarte https://quartelmestre.com
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